Estratégias para superar os desafios da alfabetização

Se o contexto da pandemia apresenta desafios diários e constantes para educadores e estudantes, os obstáculos parecem ainda maiores para aqueles que estão percorrendo uma das etapas fundamentais da vida escolar: a alfabetização e o letramento. Isso porque a interação entre o professor e a criança, indispensável no processo para aprender a ler e escrever, foi duramente impactada pela necessidade de adoção do ensino híbrido e das atividades remotas como forma de atender os protocolos sanitários. Atenta a este cenário e observando os desafios que precisam ser superados, a Secretaria de Educação (SMED) de Novo Hamburgo vem trabalhando de maneira intensa na construção de estratégias que auxiliem na alfabetização. “Saber ler e escrever é fundamental para a conquista de liberdade e autonomia dos sujeitos. O letramento é essencial tanto para se executar as tarefas cotidianas como o caminho para que as pessoas desenvolvam seus projetos de vida de forma emancipada”, defende a secretária de Educação, Maristela Guasselli.

Formação de professores

A necessidade de reforçar as ações na área da linguagem também foi observada com a avaliação diagnóstica realizada em junho e que envolveu todas as turmas de 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental da Rede Municipal de Ensino. A partir destas análises, a SMED intensificou a formação continuada de professores e planeja ampliar as intervenções realizadas com os estudantes. Além disso, uma das principais referências brasileiras em alfabetização e letramento, a professora Magda Soares, é a convidada especial para seminário com professores hamburguenses no mês de agosto.

Participação das famílias

Se a tecnologia tem sido importante aliada para o desenvolvimento de propostas pedagógicas, em alguns casos é a criatividade que garante a efetividade do trabalho. É assim que está acontecendo na Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Sen. Salgado Filho, no bairro Canudos. Ao observar a dificuldade dos estudantes do 2º ano, a professora Lídia Guterres Lopes propôs uma iniciativa que pudesse aproximá-la daqueles que optaram pelo ensino remoto. Foi assim que surgiu a ideia de produzir, para cada uma das crianças da turma, uma pasta repleta de materiais que convidassem para o universo das letras e palavras. O repertório é pensado de maneira individual, levando em conta as habilidades a serem trabalhadas com cada estudante. Para Cecília Martins, mãe da estudante Isabella de Oliveira, 7 anos, o material tem auxiliado no estudo em casa. “Além das aulas online, foi com esta pastinha que ela já conseguiu aprender as letras, o alfabeto e os números. É uma ideia muito boa e que está me ajudando a trabalhar com ela”, comemora a mãe.

As famílias recebem orientações sobre como devem desenvolver as atividades propostas. “Percebo que as famílias têm mais clareza do que precisa ser feito. Passam a compreender que não são atividades simplesmente para serem devolvidas, mas práticas que precisam ser constantes e que farão muita diferença nesse contexto em que a minha interação com eles não é diária”, comenta a professora. Quinzenalmente, as famílias retornam à escola para relatar os avanços e dificuldades e, a partir destas informações, a professora planeja novos materiais, sempre ampliando os conceitos trabalhados.

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