DJ Ivis expõe mais um dos casos de psicopatas do cotidiano

Quanto mais buscamos exemplos no cotidiano mais entendemos a profundidade da incidência deles

Recentemente, estourou na mídia o caso do DJ que, em um vídeo, aparece agredindo fisicamente sua esposa sem sequer lhe dar a chance de defesa. Em outro vídeo, vemos a mãe da moça defendendo apenas a criança. E, em outro, vemos um homem que, covardemente, não defende a mulher sendo agredida em sua frente. Todos esses casos seriam de falta de empatia ou tratam-se apenas da lei da sobrevivência?

Há um aumento assustador do número de mulheres que, dia após dia, são agredidas fisicamente e, em geral, acabam se tornando vítimas de feminicídio. Isso nos leva a uma perturbadora e sugestiva conclusão sobre um transtorno de comportamento, o transtorno de personalidade antissocial, mais conhecido como psicopatia.

Muitos, ao ouvir sobre psicopatia, já fazem automaticamente associação do transtorno aos famosos serial killers que devastam a vida de outras pessoas, ceifando-a. Contudo, a psicopatia tem um espectro, no qual há pessoas que apresentam traços leves, moderados ou altos do transtorno. Ou seja, dependendo do grau de psicopatia, um indivíduo pode ser o estelionatário de bairro, o pai de família que abusa sexualmente de crianças ou o assassino em série.

Pessoas com traços de psicopatia estão entre nós a todo tempo o chefe arrogante que pratica assédio moral; o patriarca que impugna a esposa, fazendo-a viver sob pressões psicológicas; o marido que agride a mulher e depois a faz entender que o gatilho/a culpada do fato foi ela; a madrasta que esconde a comida dos enteados por maldade, somente pelo prazer de observar o controle que exerce sobre os subordinados.

Quem nunca ouviu sobre a história de vizinhos que se diziam amigos de uma família e, no fim, descobre-se que o verdadeiro motivo da aproximação deles foi molestar uma criança? Lembram-se da recente história do Dr. Jairinho? Ele dopava a namorada com indutores do sono para agredir o filho dela, um menino de 4 anos de idade.

Os psicopatas estão ao nosso redor líderes religiosos que inventam factoides para conseguir dinheiro do seu público ou manipulá-lo; políticos que, para obter poder e riqueza, roubam descaradamente do povo e, depois, ainda dizem que a profissão mais honesta é a do político. Chega a ser asqueroso, insalubre!

Quanto mais buscamos exemplos no cotidiano, mais entendemos a grande incidência de psicopatas em todas as esferas profissionais. E uma pessoa que é vítima de um psicopata jamais sairá ilesa dessa relação. O que mais me impressiona são aqueles que convivem com psicopatas não denunciarem seu comportamento. Mães que têm suas filhas agredidas sexualmente e que não denunciam os algozes por dependência afetiva e financeira deles; pais que não denunciam o avô estuprador, para não destruir a família.

Voltemos ao caso do vídeo do DJ, onde percebemos que as pessoas ao redor não defendem a vítima. Será que estamos involuindo? Será que estamos tão acostumados com cenas como as citadas acima que não sentimos mais a mesma repulsa de antes?

É o momento de pararmos e refletirmos sobre os fatos. Não deve existir a mínima possibilidade de nos acostumarmos com tamanha selvageria. Não se abstenha do seu poder de transformação social. Nossa vida é em comunidade. O sentimento fraternal faz parte da nossa subsistência. Temos a empatia chancelada em nosso DNA. Sendo assim, não podemos retirar/omitir nossa fala por objetivos tão pequenos. Precisamos denunciar toda forma de ação psicopática, seja por parte de um pai, de um filho, de um avô ou de um serial killer. Jamais desistiremos da empatia!

José Fernandes Vilas é médico, neurocientista e autor do livro Quando o Sucesso Vira Burnout: Síndrome do Esgotamento Profissional.

Fonte: Pleno News

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