Vereadores se espelham em Restaurante Popular de Canoas para propor projeto de refeições a R$ 1 em Novo Hamburgo

Os mais de três quilômetros que separam a residência de Luís Martins Flores, 74 anos, do Restaurante Popular de Canoas, localizado na avenida Boqueirão, não são empecilho para, diariamente, o soldador buscar a refeição oferecida no local. Desde o final de abril, essa tem sido a alternativa para a população de baixa renda e moradores de rua da cidade da região metropolitana. Inspirados pela iniciativa bem-sucedida, um grupo de vereadores de Novo Hamburgo foi ao município na manhã de quarta, 9, para conhecer detalhes sobre o projeto.

Estiveram na visitação os parlamentares Ito Luciano (PTB), proponente da saída e um dos idealizadores da ação Novo Hamburgo Sem Fome; Lourdes Valim (Republicanos), autora de projeto de lei em tramitação que sugere a criação do programa Restaurante Solidário em Novo Hamburgo; Darlan Oliveira (PDT); Semilda – Tita (PSDB); Sergio Hanich (MDB); e Vladi Lourenço (PSDB). O grupo foi acompanhado pelo secretário da Cidadania de Canoas, Paulo Bogado, e pelo presidente do Legislativo canoense, Marcio Freitas, que explicaram à comitiva hamburguense como ocorreu a implementação da unidade. Em cerca de 40 dias, já foram servidos aos usuários mais de 5,5 mil almoços.

Em sua explanação, o secretário indicou um dado importante levantado pelas assistentes dos Centros de Referência em Assistência Social (Cras): para muitos cidadãos, aquela é a única refeição do dia. O cardápio é formado por quatro guarnições: arroz, feijão, complemento variável (aipim, batatas ou refogado de legumes) e carne (frango assado, iscas ou bife).

Assim como Novo Hamburgo, a cidade de Guaíba também buscou informações para montar serviço semelhante à sua população, adotando a ata do pregão realizado em Canoas, cujo valor unitário por refeição foi de R$ 10,90, segundo o titular da pasta. O serviço é realizado pela Eccel Restaurantes Industriais, de Estância Velha. O total gasto pelo Poder Público, incluindo o aluguel do local, fica em torno de R$ 45 mil mensais. 

“Todos nós, vereadores, ficamos muito satisfeitos. Fecha na ideia que pensávamos. Teremos acesso a todo o processo que foi adotado lá para que possamos implantá-lo aqui. Obviamente vamos ter que fazer uma comissão e buscar o Executivo. É uma grande solução para amenizar a necessidade da população”, avaliou Ito após a conversa com o secretário.

Conforme Bogado, são oferecidos 200 almoços por dia ao custo de R$ 1,00 para os inscritos no Cadastro Único do Governo Federal (CadÚnico), por meio dos Cras. Já para a população de rua, não há custo. Bogado esclareceu que essa medida foi tomada para não estimular que esses usuários pedissem esmolas para pagar a refeição.

Para evitar aglomerações no local, são distribuídas fichas, com horário e o dia para acessarem o restaurante. O secretário informou ainda que são permitidas 40 pessoas a cada 30 minutos. O espaço é amplo e arejado, com mesas dispostas respeitando o distanciamento. Durante a visita, verificou-se que um grupo considerável de cadastrados optava por receber o kit de alimentos, distribuído em uma embalagem de alumínio aquecida, para levá-lo para casa ou trabalho, o que deixava o ambiente mais vazio.

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