Laboratório da ETE Vicentina é responsável pela coleta de esgoto para análise de covid no Lacen

A Estação de Tratamento de Esgotos (ETE) Vicentina, sob administração do Sistema Municipal de Água e Esgotos (Semae), possui um laboratório responsável pela coleta do esgoto na cidade, que é levado ao Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Lacen) para análise e detecção do vírus da Covid.

A ETE Vicentina coleta e trata o esgoto gerado por aproximadamente 50 mil habitantes, e integra, desde junho de 2020, um grupo de pesquisa coordenado pelo Centro Estadual de Vigilância em Saúde do Rio Grande do Sul (CEVS). Esse estudo tem como objetivo avaliar a presença e a quantidade de carga viral do vírus SARS-CoV-2 no esgoto bruto que chega até a ETE. O esgoto é um bom indicativo de quais doenças estão circulando na população, mesmo antes delas serem diagnosticadas ou apresentarem sintomas.

As coletas são realizadas semanalmente pelo laboratório de análise de efluentes, na entrada de esgoto bruto da ETE Vicentina. Após a análise interna de alguns parâmetros como pH, condutividade e temperatura, a amostra é acondicionada em uma caixa térmica a baixa temperatura e entregue ao Centro de Vigilância em Saúde de São Leopoldo que a encaminha para o Lacen, que realiza a análise molecular que nos mostra a presença ou não de coronavírus e a sua quantidade.

O laboratório de análise de efluentes da Estação de Tratamento de Esgotos Vicentina foi inaugurado em 2020, com investimento de R$260 mil e equipado com diversos recursos que permitem análise do esgoto coletado no município de São Leopoldo. São monitorados os processos de tratamento das cinco Estações de Tratamento de Esgotos e seus corpos receptores. Todos verificados quinzenalmente em dois pontos de coleta, a fim de controlar possíveis mudanças no corpo d’água após o lançamento do efluente tratado.

Os resultados obtidos servem de subsídio para decisões tomadas em relação a descartes de lodo, limpezas de reatores, diminuição ou aumento de vazão e planejamento de adequações para maior eficiência dos sistemas. 

A técnica em Química do laboratório, Caroline Carabajal, explicou a ligação do esgoto com os casos de covid. “Não conhecemos uma relação que diga o quanto de carga viral uma pessoa libera durante o período de infecção, mas o que a gente consegue observar é que no início da pesquisa os picos de carga viral no esgoto aconteciam umas 2 semanas antes dos picos obtidos pela testagem. Mas conforme a disponibilidade de testes foi aumentando, esse intervalo entre um pico e outro foi diminuindo, até as curvas ficarem bem semelhantes”, falou.

“O laboratório é importante pois a partir dos resultados obtidos diariamente conseguimos agir nos sistemas de tratamento de forma a melhorar a eficiência de tratamento de cada um deles. O objetivo do nosso monitoramento é o lançamento de um efluente com as melhores características de qualidade possíveis e, com isso, propiciar a recuperação e a preservação dos arroios da cidade e do Rio dos Sinos, que é o corpo hídrico receptor final”, explica a gerente de Esgotamento Sanitário, Aline Barreto.

O diretor-geral do Semae e vice-prefeito, Ary Moura, ressalta o trabalho realizado pela Diretoria de Operação, especialmente a equipe que cuida do sistema de Esgotamento Sanitário, e a sua preocupação com as condições do Rio dos Sinos e seus efluentes. “São Leopoldo é o município da bacia do Rio dos Sinos que mais trata esgoto e que contribui de maneira efetiva para que tenhamos um rio mais limpo e com vida. Os técnicos do Semae são os grandes responsáveis pelos resultados que conquistamos nos últimos anos e pelo trabalho que faremos no futuro também”, comentou.

Atualmente, o laboratório da ETE Vicentina opera de segunda-feira a sábado com dois técnicos químicos e uma estagiária responsáveis pela execução das análises. Com a infraestrutura, é possível avaliar índices como demanda bioquímica de oxigênio, pH, nitrogênio amoniacal total, sólidos suspensos, sólidos totais, sólidos sedimentáveis, alcalinidade, ácidos voláteis, turbidez, cor aparente, oxigênio dissolvido, condutividade, temperatura e percentual de salinidade, entre outros parâmetros. 

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